sexta-feira, 27 de março de 2015

Bishop's Lane

I kissed her closed lips in the middle of Longis Land
Where the wilderness captured my eyes
And the lakes slept with the white sand
There’s always beauty in those patches of
Odd colors that fills youthful twilights

Abraços cheios de areia
De praias intocadas
Por velhos que nem chegaram a nascer

Cyclical bands of gypsies and orchestras
Roaming through my heart as you eyes
Black as coal with eyelids blue as sky
Hypnotized me, led me to what I am now

I am a Pilgrim on a Long Journey

Through the temples I walked
And through cities that looked like hell as well
Wind always was my friend
Telling secrets and tales
That I’ve never knew if were true
I’ve found you sometimes
Behind the curtains of my own youth
And the thick layer of my glasses

Bag of bones I’d carried
The lament of sea wind in my hair
Led me to the middle of Longis Land
And to your lips again
What kind of bird are you
Little Bird?

They always told me that love have to be sunny
After all these years
I strongly disagree

It needs that drop of grey
Burned film
Vintage pictures and blurred effects
The taste of tutti frutti toothpaste under your tongue
Soft blue was your skin, under that odd sky
Odd as us

Let the perfection for lies
And see through the veil of reality that screens hide from you
Meet me at Longis Land
And we can see
Life itself roaming in the night
In cellars and seas
Ravens and swans
Big wolves and Little Birds

Open your eyes
Wherever you are
And watch
Love appears
Under the light of a glorious Moonrise.


quarta-feira, 11 de março de 2015

Patches of Vert

 Yesterday I saw a girl
She reminded me of you
Those lone movements, dancing in the afternoon wind
I’d fell in cold water once
Looking at her I felt the same way

The cold  licking my guts and carbonic heart
Your battery acid kisses
Left a stain in my eyes
Both of ‘em, drop rain or waterfalls

Ideas without arms or legs
But they still roam throughout my brain
Eat me, they come, insidious
And bite my heart as I sleep

Your lackluster fragrance 
Painting stunning frescoes in the walls of my mind
Like a unknown artist
Working in the still of the night

My vision’s blurred
Filled with Patches of Vert
Bold and beautiful
I remember you always
My lips on your cheek
As I eat a peach or apple
Silk skin, my heart over a crane
Hanged
I’ve loved one time
When I was really young
And in dry, spellbound nights like this one
It hurts at the back of my heart

She drinks from my cup
Milk or latte, juice of juicy fruits
Tears with martini
In some undisclosed future
Lost in the harmonic sounds of Leonard Cohen’s songs.

In those times we were immortal
And could see the gleams of days and smell of daisies
Crush flowers and bugs with our feet

You had to take a dive in that river
And lost your breath for the beauty beneath
Now you can hear my call?
And pretend this longing is new

Your heart is my secret garden still
Knife sharp to carve our bloodline in trees
Old and wise, firm and marooned
Little girl, scooping balls of ice cream
And laughing
But we are grow up now Baby Girl

And I grew worse than you 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Coeur de Pirate

 Deixei um saco de ossos na porta de Cemetery Miles, antes de caminhar ao lado das águas calmas da baía, e enquanto caminhava, o cheiro da pele dela vinha do mar revolto ou do céu cinzento, eu não sabia, não sei até hoje.

Andava como um cão cansado, no meu ritmo ciclotímico.

“Venha sentar-se à mesa” os camponeses me disseram, mas neguei, passaria a tarde olhando o mar, bravo, batendo contra as rochas de Bishop’s Lane. O mundo se move tão devagar, eu suponho, as estrelas que giram sobre a minha cabeça pontuam cada estada com um diamante, e o sino da igreja toca sete vezes, em estranha harmonia com as ondas do mar.

E andando pelos campos e mares, conversando com os faunos e dríades e coisas que não devo e nem posso lembrar, descobri que o mausoléu está dentro do coração do homem.
Mas minha irmã me chamava de Coeur de Pirate.
Viva o amor, eu dizia, e os danos irreversíveis que ele deixa, mas os camponeses insistiram para que eu sentasse com eles, e nada pude fazer a não ser tirar o robe de chambre e oferecer minha cartola ao vento. Nos barcos os marinheiros cantavam sobre deus e sobre tempestades.

Oh forasteiro, eles diziam, se você não comer quem vai comê-lo é o mar.
E sentei com eles, pensando em pegar a corrente sul pela manhã até encontrar o gelo, e deleitar-me com a aurora que nem de longe era tão brilhante como os olhos dela, ele, o mar, se lançava nas rochas, escavando-as, destruindo-as, e eu bebia o cointreau debaixo da triste luz do farol, ao meu lado os caçadores do Transvaal negociavam peles, eu negociava meu coração, nem caro, nem barato, apenas o suficiente.
Quanto você dá por um Coração de Pirata?

Como se chama forasteiro? Perguntou Lady Cashmere.

Coeur de Pirate eu respondi, sorrimos enquanto o peixe fresco vinha a mesa, exalando fumaça como a das trincheiras na guerra em que lutei no Monte Wroclai, e as espadas e baionetas retiniram no campo. Eu me lembro do capitão contando histórias.
“As trincheiras são tão feias a luz da manhã, mas com meus irmãos de armas, nunca me senti tão bem” Ele costumava gritar, antes do exército inimigo nos massacrar pelos campos de Anzio nos seus trilhos Intercontinentais.

Enquanto o tempo passava eu dormi em estâncias camponesas, levei em meus lábios os beijos de Lady Cashmere e minha espada tirou sangue de diversos homens bravos, mas eu sempre seguia um curso do som ou luz filtrada pela manhã ou fim de tarde. Então conheci em Nantes uma grande orquestra onde eles tocavam o que eu queria escutar, mas ainda não havia encontrado-a, nem nas noites de Bishop’s Lane, ou nos dias enevoados de Nantes.
 Ela apareceu uma vez, quando eu voltava para o Monte Wroclai e tentava conviver com as lembranças da guerra e das trincheiras, de como as rodas dos tanques pareciam-se rodas gigantes, ela apareceu na janela de um trem, lábios vermelhos no rosto pálido, tão lindo quanto a Transiberiana pela qual viajaria.

E meu Coração de Pirata derreteu em meu peito.

Eu me pergunto agora onde eu estaria se houvesse segurado a sua mão, meus lábios nem teriam reminiscência de sabor dos de Lady Cashmere, ou passado noites com a prostituta de Marselha. Adiante na trilha eu descobria as pequenas passagens dela pelo mundo sépia e cinzento de portos e estações de trens do Leste Europeu, entre os rostos sisudos das romenas e das noites de sexo quente com as húngaras eu pensava em como poderia recuperar meu Coração de Pirata.
Uma vez um homem me fez beber sangue em uma madrugada em Canterbury, um tal de Lancaster Kronberg.

Lutei com um homem chamado Santiago e ele me venceu, beijei os olhos verdes de sua filha e ela me beijou os lábios, um louco chamado Redrin tentou me matar, mas sobrevivi, e agora somos amigos, e ele me disse que conhecia um caminho para um Coração de Pirata, mas eu teria que ir para o distante Norte onde as almas dançam no céu, e eu voltei sozinho pelo mar amargando noites escuras com estrelas reluzentes, mas as estrelas não eram companhia e estava indiferentes.

Quando cheguei em Bishop’s Lane não havia nem vila, nem mesa ou comida, nem Lady Cashmere e nem a prostituta de Marselha, havia apenas o saco de ossos, e ela contava um por um, suas pequenas mãos brincavam com as costelas e o esterno, dele ela fez flautas que embalaram nossas noites. Sangrei onde Santiago me cortou, e onde Redrin bateu em mim, a pele ficou roxa, meus lábios ficaram quentes.
Ela deixou um saco de ossos na porta de Cemetery Miles e pegou minhas mãos, meus olhos cascateavam sob a luz das estrelas.

Coeur de Pirate
Ela disse, e no corte da espada eu tirei meu coração e a dei.

E agora navego para sempre pelo caminho entre praia e mar, até encontrar meu Coração de Pirata outra vez

Uma vez minha irmã disse para mim:
Nós somos peregrinos em uma longa jornada.

Eu acho que ela estava certa.